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sábado, 8 de junho de 2013

Mais um ano, mais uma Type Jam

 
Considerada uma noite de experimentação e provocações, a Type Jam regressou às salas de Belas-Artes na noite de 4 para 5 de Junho, com mais gente do que o habitual e pela primeira com a participação do curso de Design de Equipamento. Alunos do 1º,2º, 3º ano e antigos alunos reuniram-se em 12 grupos para desenvolverem, durante 12 horas, projectos sobre os filmes de Peter Greenaway, nomeadamente uma publicação e um objecto por grupo.
Embora a dinâmica da noite não tenha sido muito grande, com alunos a abandonar a faculdade perto das 6.30 da manhã, enquanto outro viam o nascer de mais um dia no terraço, em todas as salas reinava a confusão de comida, materiais e ideias, que invadiram os corredores e resultaram numa série de objectos escultóricos e publicações, que podem ser observados nos corredores do 2º piso, e principalmente à frente da sala 4.16.
Árvores, zebras, banheiras, ovelhas e muito papel perturbaram o silêncio da noite e completaram mais um Type Jam Session. Para o ano há mais…
 






 
Um agradecimento especial aos organizadores deste ano por mais um desafio, ao grupo da 4.15 pela noite de trabalho e discussão e à fotografa de serviço desta sala Joana Gomes, pelas fotos deste post. Outras informações na plataforma oficial: http://typejamsession13.tumblr.com/

Worl Communication Design Day


Para comemorar o Dia Mundial do Design de Comunicação foi planeada e montada uma exposição no átrio do Grande Auditório, com os trabalhos realizados pelos alunos do 2º ano, sobre as mudanças e constantes do Design. Por problemas técnicos foi impossível concluir a exposição, mas espera-se uma nova oportunidade.
Ficam algumas fotos do processo de montagem, tiradas pela Joana Gomes. Um obrigado especial a ela e a todos os que contribuíram para esta exposição.
 
 
 
 





domingo, 12 de maio de 2013

Julgar um livro pela capa?

É frequente ouvir a expressão ‘Não se julga um livro pela capa’ dita em variados contextos, mas neste post deve ser entendida da forma mais literal possível, onde mais uma vez tenho o livro como objecto principal de reflexão. Mas não é um livro qualquer. É o livro que nos acompanha diariamente dentro das nossas malas, com o único intuito de nos preencher as horas livres que passamos num café ou até mesmo presos no trânsito. Os chamados livros de bolso são vistos desta forma pela maioria das pessoas – pequenos, mais leves e práticos de guardar e transportar, estão sempre lá quando precisamos de sair da rotina. Estes são os livros que passam despercebidos a muitas editoras, mas que outras transformam em verdadeiras peças de design, onde o exterior torna o conteúdo muito mais apelativo. E para quem aprecia realmente o acto de ler, toda a experiência se altera quando temos nas nossas mãos um objecto gráfico extraordinário, e a certeza que o número seguinte não nos vai desapontar, porque cada colecção é pensada ao pormenor e desenhada como um todo, mesmo com títulos tão diferentes. A identidade que se cria na capa dos vários volumes e a ligação que as lombadas nos oferece na prateleira, são maravilhosas e o trabalho de David Pearson é o ponto de partida para viagens ao passado e novas descobertas, porque ainda é possível criar objectos de colecção.

Great Ideias são colecções desenvolvidas por Phil Baines, Catherine Dixon, Alistair Hall e David Pearson para a Peguin.
Great Ideas Volume I - 2004

Great Ideas Volume II - 2005
 
Great Ideas Volume III - 2008
 
Great Journeys, também na Peguin, em 2007, com ilustrações de Victoria Sawdon, excepto volume 1 e 11.
 
 
 
 Great Lovers, outra colecção da Peguin, com ilustrações de David Pearson, Victoria Sawdon e Claire Scully, de 2007.
 
 
 
Trabalhos para a Éditions Zulma:

Éditions Zulma I - 2006

  Éditions Zulma II - 2006-08

 Éditions Zulma III - 2007-08
 
 
White's Books, uma colecção de 2008:
 
 Jane Eyre, ilustração por Petra Borner
 
Treasure Islanda, ilustração por Stanley Donwood
 
The Christmas Books, ilustração por Joe McLaren
 
Sonnets and Poems, ilustração por David Pearson
 
“The fact that these little paperbacks make heavyweights like Freud, Nietzche, and Machiavelli look so appealing means I may actually read on”
Zoe Bather, Frost Design
 
“Pearson has made the humble paperback covetable again”
The Guardian

sábado, 27 de abril de 2013

Lettering has become a character...

“So from now on typography will play a role that goes beyond that of simple communication. With the help of images it will strive to fix these privileged moments that seem swollen with a thousand instants. The image, for its part, has already travelled much of the path: it strives to meet up with lettering through the ideogram. So ultimately we no longer really know whether a characters appearance follows the outlines of the letter, or whether, conversely, lettering itself has become a character.”

Laetetia Wolff, Massin, (New York), Phaidon Press Limited, 2007.

The image of the words...

“This is the first lesson we can learn from Massin: that the reader “reads” something in the image of the words. If it is the word which carries meaning, then the writer is the designer of the message. Designers, in the end, only arrange how the message is delivered, which (not only in a book) can take place through a déroulement in time. Designers are susceptible to changes in style, and because it impinges on the content of the message, style should be derived from its content and determined by its context.”
Language Unleashed, Richard Hollis, Eye Magazine, no. 16 vol. 4, 1995.

Robert Massin

“try to penetrate beyond mere ‘layout’ and to use paper, type and ink as flexible means towards a cultivated and flexible interpretation in print of the author’s written text”.

Intensificar o significado do texto através de formas tipográficas, tornou Robert Massin num pioneiro dos anos 60. Autodidata: tipógrafo experimental, designer de livros e director artístico, trabalhou em algumas das mais importantes editoras francesas como Club Française du Livre (1948-52 como designer), Club du Meilleur Livre (1952-58 como director artístico) e em 1958 na Gallimard, onde esteve durante 20 anos e foi director artístico. Todos estes anos permitem-lhe contactar e trabalhar com nomes importantíssimos da literatura e do teatro da época, tendo liberdade para desenvolver um trabalho mais expressivo: explorando algumas das principais características do teatro e do cinema, nomeadamente, o tempo, espaço, movimento e emoções, naquilo que Latetia Wolff classifica como “the dynamism of the theatre within the static confines of the book.”. O seu apreço e sensibilidade por estas artes (e alguma experiencia de trabalho nelas) levou à construção e produção de obras que, juntamente com outras, contribuíram para um período do grafismo francês muito interessante e um dos melhores contributos do país para o design gráfico. Escreve ainda sob o pseudónimo Claude Menuet.

            Nasce a 1925, em Boisvillete, Eure-et-Loir, França e aos quatro anos o pai dá-lhe uma placa de pedra com o seu nome traçado, juntamente com um martelo e um cinzel para as mão, pedindo-lhe de seguida que grava-se o seu nome numa pedra: "This remains in my imagination a founding moment of my interest in letters and all graphic things,". Começa a trabalhar pouco depois da Segunda Guerra Mundial, quando regressa a Paris e torna-se designer ao conseguir um trabalho num clube do livro. Uma vez que não tinha conhecimentos na área foi conduzido a uma tipografia onde foi confrontado com os tipos móveis e começou por compor o seu nome. Alguns dos seus primeiros trabalhos de design foram desenvolvidos sob a orientação de Pierre Faucheux – director artístico do Club Français du Livre, associado normalmente aos poetas da avant-garde francesa e alguém que foi sempre e ainda é alvo da sua admiração: "Faucheux had been one of the first designer/typographers to emphasize the importance of dynamic typography and documentary iconography on covers, at a time when illustration had not yet been replaced by photography. For my first covers, I was asking myself, 'What would Pierre Faucheux think?'"

Massin pertence então a uma geração que viveu entre mudanças tecnológicas, nomeadamente na composição de texto e impressão, e que desenvolveu a poesia visual europeia, ou seja a junção de coisas diferentes para criar uma nova experiência ou evocar emoções inesperadas. Esta poesia ao nível do design gráfico reflectia-se na manipulação através de colagens, montagens, e outras técnicas fotográficas, com a finalidade de se obter imagens capazes de transmitir ideias e sentimentos.

Para além de Faucheux, Massin trabalhou com outros intelectuais da altura, principalmente escritores, com quem desenvolveu importantes trabalhos, como Aragão, Simone de Beauvoir, Jean Genet, Raymond Queneau, Ionesco, Steinbeck, Jean Giono, André Malraux, Jean Cocteau, Celine Le Clézio, André Breton, Jacques Prévert, Marguerite Duras, Montherlant, Michel Foucault, Tristan Tzara, Henri Michaux, Antonin Artaud, Marguerite Yourcenar, Philippe Sollers, Michel Leiris, Michel Tournier, Dos Passos, Albert Camus, Sartre, Kundera, Marcel Ayme, Michel Butor, Paul Morand, Octavio Paz, Georges Perec, entre outros. Dentro do mundo do design, do cinema e da arte, trabalhou com Dubuffet, Alexieff, André François, Brassaï, Robert Doisneau, César, Marcel Duchamp, Folo , Giacometti, Gisèle Freud, Jean Renoir, Karel Appel, Man Ray, André Masson, Chagall, Mateus, Max Ernst, Miró, Soulages, Sempé, Topor, Willy Ronis, Jacques Tati, Cartier-Bresson, Savignac, etc. “C’est dire qu’en quelque sorte, je dois être la mémoire du dernier demi-siècle!”

Revolução Editorial: Um Novo Objecto

Depois de anos de ocupação Nazi e escassos livros verifica-se uma revolução na edição do pós-guerra, com os clubes de livros a serem o principal meio de publicação, divulgação e distribuição de literatura em França. O livro era pensado como o objecto que não devia competir pela atenção do público, mas ser-lhe “levado” directamente. Neste sentido e no caso do Club du Meilleur Livre, publicavam-se livros escolhidos pelos membros, desde clássicos, a traduções ou outro tipo de trabalho, que mostrava o entusiamo da editora. O designer tinha a oportunidade de encontrar soluções individuais para cada trabalho, sendo responsável não só pelo seu layout mas também por todos os aspectos da sua produção. O livro deixou de ser “this rectangular parallelepiped as thick and inert as a brick, but something living”, considerado por Faucheux “a new OBJECT…whose character would be determined by the choice of type, the proportion of the text area within the selected format, and their déroulement in time and space”. Os trabalhos de Massin reflectem este contexto: cada projecto nasce e desenvolve-se tendo em conta o seu conteúdo e cada página e/ou conjunto de páginas criada(s) procura transmitir ideias. No fundo, trata-se de um princípio de responsabilidade para com o leitor, de lhe proporcionar uma leitura mais confortável, que Massin defendia. As composições tipográficas e dinâmicas, que componha, pretendiam ser formas visuais concretas e expressivas, estando relacionadas com o trabalho de autores futuristas e dadaístas. No entanto, a intensidade literária, ou por outras palavras a importância do conteúdo, que reflectem é o que o diferencia de outros autores. 

O seu trabalho na Gallimard esteve sempre assente nos ideais: “Manter, restaurar, renovar”. A sua presença nesta editora foi particularmente importante, pois foi o responsável pela transformação da imagem tradicional desta editora, produzindo uma série de livros de poesia e drama, muito aclamados pelo seu tratamento tipográfico, e pela forma como palavra e imagem foram integrados em formas visuais dinâmicas, com o objectivo de melhorar a compreensão do texto. A série Folio, criada em 1972, é uma das mais importantes, não só porque Massin conseguir desenhar mais de 300 capas em menos de seis meses, mas sobretudo porque esta colecção é o exemplo francês num mercado europeu de paperbacks em expansão, com todas as editoras a dar aos seus livros um estilo identificável e estandardizado, através dos formatos de capa, layouts e tipos de letra, como por exemplo a Deutscher Taschenbuchverlag na Alemanha e a Penguin em Inglaterra. Massin viu o livro como uma peça de design industrial, como “a locomotive, a sewing machine or a coffee mill, the aim is the same: to give a pleasing form to an essential object.” E quis produzir livros que fossem lidos e guardados. Caraterizava as capas Folio como um rectângulo branco, aludindo á folha de papel que o escritor tem à frente e onde é necessário colocar um nome ou uma imagem. A fonte utilizada é a Baskerville e verifica-se uma separação evidente entre texto e imagem, que podia ser desenhado por ele ou encomendada a outros. Mesmo se tratando de um livro de bolso, o autor afirma que a capa é comparavél a um poster: “There is no real difference between a poster and a book cover: they both have to be seen as you move past them, and they have to impress you quickly and convincingly.” Trata-se da colecção que levou a Gallimard a um número de leitores cada vez maior e ainda hoje é muito bem recebida pelo público francês.

Idées nrf foi outra série pensada por Massin, que especificou a caixa baixa e a letra sem serifa, e ainda desenhou os símbolos que seriam introduzidos na capa em 1964, para classificar os vários géneros. Contudo grande parte das ilustrações das capas ficaram sob a responsabilidade de Henry Cohen, com quem já tinha trabalho no Club du Meilleur Livre e para quem escreveu numa exposição: “When you look at the hundreds of covers, you marvel at the graphic quality of the series and the consistent intention shown by the photographer across such diversity (even more so when the text is of a philosophical nature that doesn’t suggest the picturesque), at his skilful play with shadow and light, and at the delicious blend of poetry and a sometimes surrealist humour.”

A sua primeira e importante peça de design nesta editora foi a edição da obra de Raymond Queneau, Exercices de Style, em 1963, que estuda os estilos narrativos repetindo a mesma pequena história 99 vezes de formas diferentes. Os tipos de letra utilizados mostravam as variações dos textos, através dos títulos que sugeriam o tipo de narrativa que lhes seguia – tornando o estilo tipográfico parte da expressão e significado do texto, usando vários tipos de retorica visual. Este livro já tinha sido editado em 1956, por Faucheux, sob o ideal de estabelecer ligações entre texto e a sua expressão gráfica, sendo uma grande influência no projecto de Massin.

Sonoridade Tipográfica

Relacionado directamente com a sua paixão pelo teatro, La Cantatrice Chauve de 1964, traduzido para americano, The Bald Soprano em 1965 e para inglês, The Bald Prima Donna em 1966, é uma representação fiel da peça de Eugène Ionesco, que Massin visualizou certa de 20 vezes e gravou, no sentido de captar todas as entoações e pausas. É um livro que integra texto e imagem, com grande expressividade tipográfica e compositiva, que apresenta diálogos entre personagens ao longo de várias páginas, e em que as figuras representadas aparecem exactamente no mesmo local em que estavam no palco – a sua mudança de posição é acompanhada pela mudança de layout. Um dos grandes contrastes nesta obra recai na relação entre o dinamismo da tipografia e as imagens estáticas das personagens a preto e branco, que eram fotografias de alto contraste de Henry Cohen. A cada personagem foi atribuído um tipo de letra diferente, que varia de acordo com o que é dito, por exemplo sussurros são mostrados em pequenas e delicadas letras, enquanto que gritos são expressos em bolds e em grandes tamanhos. Mr Smith fala em Platin Roman, e a sua esposa em italico; Mr e Mrs Martin falam em Grotesque 215 e Gill Italico; ao bombeiro foi atribuído a semi-bold Egyptian e a Marie a Gheltenham bold. Composições com letras de diferentes tamanhos e disposições referem-se a confrontações, enquanto que as artes mais entediantes da peça, são expressas através de arranjos também eles entediantes – uma cena que demora 2 minutos, prolonga-se durante 48 páginas. Não se utiliza pontuação, com excepção de exclamações e interrogações. No fundo, La Cantatrice Chauve – um clássico dos palcos franceses – é um dos expoentes máximos da introdução do tempo e espaço na página impressa, através da experimentação e do tratamento tipográfico.

Em 1966, volta a trabalhar com Ionesco, na Délire à Deux, muito semelhante á La Cantatrice Chauve. O homem fala em Garamond e a mulher em Garamond italic, com frases em cinco ângulos diferentes e onde Massin procurou traduzir a voz humana em diferentes pesos. Neste mesmo ano desenha as seis vozes da Conersation-Sinfonietta, de Jean Tardiu, numa aproximação do diálogo à música, de acordo com os registos musicais. Estabeleceu as vozes agudas na parte superior da folha, enquanto que as vocês graves são colocadas no limite inferior da página. Outra das obras relacionadas com a música é“La Foul”, de Edith Piaf, em que Massin produz a “vocal calligram”, com o objectivo de reconstruir tanto o som como o timbre da voz.

Massin: Universo Gráfico e Visual

La Lettre et l’Image, de 1970 é o primeiro e um dos principais livros da autoria de Massin. A pesquisa de 15 anos mostra o seu grande interesse pelas várias formas tipográficas, resultando num estudo sobre interação entre letras e imagens através dos séculos. Partilha o seu entusiasmo pela grande variedade de formas tipográficas, desde os manuscritos, á publicidade, colagens cubistas, caligrafia árabe, tipografia dadaísta, graffiti, rótulos de embalagens a todos os tipos de capas de livros. Esta obra surge numa altura em que Helvetica e Universo eram os tipos de eleição, levantando questões sobre a expressão das formas tipográficas, um assunto considerado de menor importância por muitos designers da altura. A propósito deste livro, Roland Barthes felicita Massin pela sua falta de estudos académicos, que lhe permitiu manter a frescura na observação e evitou a especialização. “Therefore, what Jan Tschichold didi for the New Typography, Massin did for a new eclecticism through Letter and Image”

            Outras obras de grande importância são o seu livro L’ABC du Metier (1989), uma autobiografia visual do seu mundo gráfico, os seus anos de criança são recordados pelas imagens e marcas comercias e adopta algumas técnicas do cinema, como mudanças de escala e efeitos zoom. Quando termina este livro propõem-se a usufruir da rapidez e oportunidade de modificar e corrigir uma forma facilmente, completando um dos seus trabalhos que já tinha alguns anos, como é o caso de Cocteau’s Les Mariés sur la Tour Eiffel. Cent Mille Millards de Poèmes, de Raymond Queneau. Em “L’Or”, Massin corta letras do posters Americanos de 1948 e usa-as no estilo visual da California Gold Rush. Ubu, de Alfred Jarry, de 1958, pelo Le Club du Mellieur Livre, com ilustrações de André François.

            Quando deixa a Gallimard o seu percurso continua ao criar a Typographies Expressives, uma associação que procurava promover a edição de obras que exploram graficamente a relação entre a voz humana, e a música e a tipografia.  

“Regardless of the topic of a work, Massin’s primary concern has been to give visual reality to the literary content. He accomplished this through his innovative use of letters and letterforms, their selection and placement.” O grande objectivo de Massin foi sempre encontrar o equilíbrio entre legibilidade e expressão gráfica e encontrou essa possibilidade no objecto-livro, que desde sempre faz parte da sua vida. Nele viu o suporte para a ‘tipografia expressiva e experimental’ que caracteriza os seus trabalhos e que reflecte os contactos que fez ao longo da sua carreira, com escritores e artistas, e a sua paixão pelas artes.

Massin é mais do que um designer de livros, é também o pensador e o produtor dos mesmos.

sábado, 30 de março de 2013

A Arte da Persuação



Gui Bonsiepe reflecte sobre o conceito de retórica – a chamada arte da persuasão, que influencia sentimentos e atitudes, ao dar às palavras novos significados. O uso da retórica na comunicação permite que o discurso seja mais interessante, eficiente e influenciador. 

Segue-se alguns excertos do texto de Bonsiepe: 

“Rhetoric is one of the scarcely researched areas of design, although the designer is confronted with rhetorical phenomena in his daily work…
Rhetoric can be called a set of seductive heuristics, used to influence feelings and moods in the person to whom the message is addressed…
Feelings are phenomena of short duration, which interrupt the flow of everyday actions… moods, on the other hand, are generally of longer duration. They are concerned with an approach to future possibilities of action… specialists in advertising and corporate identity direct their rhetorical techniques to creating certain attitudes in the public or breaking them down, depending on the policy and strategy the company is using to present itself…
[designer] he influences the feelings, moods and attitudes of the user by employing visual means assigned to formal and semantic categories to convey messages…
In Antiquity rhetoric was practiced as an art of speaking mainly in three areas: politics, law and religious discourse… As K. Burke said, rhetoric is the right place for “… insult and offence, for quarrelsomeness and conflict, for cunning and lies, particularly for underlying cunning and deliberate lies”…
Rhetoric is generally defined as the art of persuasion, or the study of the means of persuasion that are available for a given situation the purpose of rhetoric is the efficient use of language in order to shape attitudes in others and influence their behavior… Persuasion presupposes the possibility of choosing. Again we can quote Burke, who says rhetoric is directed to a person who is free: “… when people are forced to do something rhetoric is superfluous”…
“… a new approach to rhetoric that would take into account modern semiotics. Since the combination of text and picture available in modern communications was technically impossible in antiquity, it was never a concern in classical rhetoric. ”…
The flood of verbal and visual messages produced and distributed in industrial societies creates what Richard S. Warman has termed ‘information anxiety’. A situation with a low density with such conditions, one could ascribe a new, cognitive function to rhetoric, where rhetorical means are used to clarify contexts and reduce cognitive entropy…
“… the art of saying something in a new way”  and as “… giving words a new meaning or a new use, in order to make speech more pleasing, more lively and more penetrating.”…
In the traditional view a rhetorical figure of speech is one that differs from normal usage to make the communication more effective. Figure of speech can be divided into two classes…
Word figures: related to the meaning of a word, on the position of the words in the sentence…
Thought figures; related to the formation and arrangement of the information.”

Some things change...



“Some Things Change…”, de Chris Pullman é um conjunto de “enumerações” referentes a várias mudanças, evoluções e constantes no campo de design. Num sistema de Antes e Agora, o autor desenvolve toda a sua reflecção sobre design de comunicação em torno do objecto que passa a experiência, espacial e temporal.
Deixo os tópicos que considero mais importantes.



Object - Experience
Once what you were making was an object.
Now it is more often an experience.

Composition - Choreography
Once the desiner’s art was composition.
Now it is choreography. In a fluid, four-dimensional world, the problem is not so much to get the fixed thing right as to find an elegant sequence of evolving relationships. This involves understanding how the conventions of typography and the dynamics between words and imagens change with the introduction of time, motion, and sound.

Craft based -Technology based
Once the profession was genetically linked to the ancient crafts of hand typesetting, bookbinding, drawing, and cuttins.
Now it no longer is so physical, mediated by technology that can make it feel almost virtual. The basic tools are suddenly so different that, as Mcluhan predicted, the things we can make, or even dream up, will be different.

Isolated, solo - Collobarative, tem
Once you could do just about everything yourself. Paul Rand ran a one-and-a-half-person shop for most of his professional life.
Now the paradox is that while the personal computer and plunging software costs have revitalized the tradition of the one-man band (a publishing house or a postproduction studio on your desktop), the trend is toward collaborative, multidisciplinary teams of people pushing toward a common goal. It’s not just your opinion anymore. Collaborating call for a different set of gees, a different kind of ego, a tolerance for complexity and consensus.

Piecework - Strategic thinking
Once most of us did piecework, making a new thing to fit within a small universe of other things.
Now, while piecework won’t disappear, the new focus is on strategy: design as strategic planning, design as a business resource. This implies a different level of thinking and participation, even a different vocabulary.

Design is different from art
I have always felt that being a designer and being an artist are quite distinct activities, attracting people with different goals and preferences. Where a person end up on this continuum is more a matter of chromosomes than anything else. Someone who becomes a successful painter or sculptor or performance artist is likely to be a person who derives their energy and intellectual satisfaction from solving problems that come from inside themselves. In contrast, someone who ends up as a successful designer is probably a person whose energy and intellectual satisfaction comes from solving someone else’s problems. Each of us inevitably brings to the task of designing a unique load of experience and bias, which can and should express itself in our work. But the current attention paid to the importance of “authorship” in design shouldn’t mask the underlying distinction between personal expression and the puzzle of figuring out a problem posed by others.

The visual power of design derives from the idea of contrast
If you ask why something woks and you push back far enough, eventually everything seems to be based on contrast: the ability to distinguish one thing from another. Composition, sequencing, even legibility all rely on devices that affect the contrast between things. Contrast seems to control many of the phenomenon essential to visual communication: grouping things into families, creating theme and variation, establishing hierarchies, and providing interest.

Nothing happens out of context
Few things we make have no precedent. It is important to understand how one thing fits into the larger family of things to which it belongs. You can’t enjoy the variation if you don’t know the theme.